O que é hipertexto e texto multimodal?
Com o advento do computador, da Internet, por conseguinte o fácil acesso ao celular - advindo de todas as mudanças da sociedade contemporânea - nossa maneira de ler e escrever foi modificada. O texto convencional, que apresentava a informação de forma linear ganhou um novo formato para que atendesse aos avanços tecnológicos e foi precedido pela escrita eletrônica, também conhecida como hipertexto.
Esta nova forma de leitura e escrita, cujo suporte são as tecnologias computacionais, pode ser considerado como um novo espaço de leitura e escrita. O hipertexto tem raízes nos séculos XVI e XVII através de manuscritos e marginalia, mas ganham visibilidade com a World Wide Web (www). Tornando -se uma escritura eletrônica que não segue uma linearidade e possibilita ao leitor escolher seu próprio trajeto de leitura, sem seguir uma sequência predeterminada.
O gênero hipertexto possibilita as atividades coletivas e colaborativas. Neste a leitura é baseada em associações, tendo como elemento os links ou hiperlinks, imagens, sons, ícones gráficos que se interconectam com outros conjuntos de informação. Por não possuir uma estrutura linear e hierárquica, mas sim se organizar em rede ou capilaridade, ele permite a leitura não-linear e interativa, dando ao leitor autonomia para escolher o seu próprio percurso de leitura. Qualquer ponto que acessamos no hipertexto nos dá acesso a outros que a eles estão interligados e permite a interatividade, uma vez que apresenta em sua constituição o princípio de blocos autônomos de textos.
No que tangue a sua construção uma das características mais atrativa para o leitor é a flexibilidade em relação ao espaço e tempo, ou seja, por ser um texto ramificado e responsivo (com um design que se adapta a qualquer mídia e em diferentes resoluções de tela automaticamente) ele possibilita que sua leitura aconteça em diferentes suportes e atendendo as demandas de uma contemporaneidade fragmentada, contudo mantendo um mesmo enredo, porém modificando a noção de autoria.
O hipertexto permite ao escritor trabalhar com a multimodalidade, ou seja, permite duas ou mais modalidades de formas linguísticas, a linguagem pode ser verbal e não verbal, proporcionando a inserção de imagens, vídeos, hiperlinks; de um código linguístico ou não linguístico, suplantando as palavras, as frases mesclando escrita e desenho, modificando assim, a conceituação do texto que passa então a ser constituído por diferentes formas/modos de representação, o que inclui os textos orais. O grafar, por si só, não torna um texto em multimodal, a multimodalidade textual só se concretiza quando há o uso de recursos que permitem a junção de elementos que se tornam atrativos aos sentidos; quando há o emprego de duas ou mais modalidade de formas linguísticas, apresentando com e em diferentes recursos as mensagens grafadas.
Nem sempre os gêneros multimodais apresentam imagens, em muitos casos a simples disposição gráfica do texto nos trás a informação da multimodalidade textual, os pré conhecimentos que temos nos revelam a natureza do tipo de mensagem que ali está descrita. Os traços multimodais são variados e nos levam a perceber o que é peculiar aquela oralização ou escrita. Os diferentes recursos usados na construção do texto multimodal, por meio dos elementos semióticos - signos alfabéticos, elementos visuais e imagéticos - possibilitam uma melhor compreensão textual.
Portanto, é importante salientar que mesmo com a ruptura que acontece, os hipertextos são produzidos de forma coerente, a leitura da mensagem escrita com a prática da decodificação das imagens e outros recursos visuais é o que irá facilitar o entendimento do leitor e consecutivamente a intertextualidade. A multimodalidade torna o texto mais atraente e contempla o leitor contemporâneo que busca respostas rápidas e em vários casos visuais as suas perguntas, para uma compreensão mais rápida e por meio de apresentações diferenciadas.
Curiosidade: O termo hipertexto foi criado por Theodore Nelson, na década de sessenta, para denominar a forma de escrita/leitura não linear na informática, pelo sistema “Xanadu”. Até então a ideia de hipertextualidade havia sido apenas manifestada pelo matemático e físico Vannevar Bush através do dispositivo “Memex”.
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